Eu tinha cinco anos quando tudo começou.
Primeiro veio uma dor no rosto. Depois, um inchaço que não passava.
Quando os exames mostraram um tumor, eu vi minha mãe ficar sem cor.
Fiz cirurgia e quimioterapia. Mas o tumor continuou crescendo e chegou à minha coluna.
Aos seis anos, minhas pernas pararam de responder. Desde então, vejo o mundo sentada.
É minha mãe quem me leva pela casa.
Da cama para a cadeira. Da cadeira para o banho. Ela me ajuda em tudo.
Faz cinco anos que minha mãe me carrega. As costas doem e ela dorme mal.
Mesmo cansada, entra no meu quarto sorrindo. Nunca reclamou de cuidar de mim.
Eu queria poder aliviar esse peso. Ela também precisa de alguém segurando a mão dela.
Meu irmão segura minha mão em silêncio.
Meu irmão tem seis anos, tem autismo e também precisa da nossa mãe o dia inteiro.
Ele não fala. Mas, toda tarde, senta do meu lado e segura minha mão.
Fica ali comigo até minha mãe chamar. Esse carinho me dá força quando sinto medo.
O trabalho do meu padrasto sustenta a casa.
Minha mãe não consegue trabalhar porque cuida de nós dois.
Meu padrasto sai cedo e volta depois que escurece, recolhendo material reciclável.
O que ele ganha paga a comida. O tratamento e a fisioterapia ficam além do nosso alcance.
Eu só quero a chance de tentar.
Preciso continuar a quimioterapia e ter acesso à fisioterapia e aos cuidados indicados para mim.
Não posso prometer que vou andar. Nem os médicos prometem. Mas quero ter a chance de tentar.
Sua contribuição ajuda minha família a buscar esses cuidados. Escolha um valor que caiba para você.